segunda-feira, 2 de junho de 2014

O controle da transmissão transfusional da Doença de Chagas

A alta prevalência de doadores chagásicos nos bancos de sangue do Brasil (6,9%) e da América Latina (6,5%), nas décadas de 60 e 70, aliada ao combate ao vetor a partir dos anos setenta, fez com que a doença de Chagas transfusional, a partir da década de oitenta, se tornasse o principal mecanismo de transmissão da doença na maioria dos países endêmicos.
No entanto, com a prevenção por meio do combate aos vetores e por meio dos exames sorológicos os índices de contaminação caíram muito nas última década.
O que causou um aumento no índice de contaminação da Doença de Chagas pelas transfusões, foi o elevado fluxo campo-cidade nas décadas de 60-70, que elevou o número de doadores advindos do campo - que possuíam a doença - aumentando, portanto, o número de contaminados nas cidades. 
Especificamente no Brasil, enquanto nos anos cinquenta a prevalência média de sorologia positiva para Trypanosoma cruzi era de 8,3%, nos anos sessenta e setenta caiu para 6,9% e, no final dos anos oitenta e início de noventa, para 3,2%. Levantamentos mais recentes apontam queda da prevalência ainda mais consistente. Documento da Organização Mundial da Saúde de 2006 revela índice de prevalência de doadores chagásicos para toda a América Latina de apenas 1,3% (queda de 78,7% em relação àquela observada há 30 anos) e para o Brasil de 0,2% (queda de 97% no mesmo período).
A tabela a seguir mostra a prevalência de sorologia positiva para Doença de Chagas em doadores de sangue dos países endêmicos da América Latina, no ano de 1950, décadas de 60-70, 80-90 e ano de 2005:


No Brasil, atualmente existem muitas políticas de combate aos vetores da Doença de Chagas, como medida preventiva. Mas os exames sorológicos no centros de doação de sangue são universais e obrigatórios e restringem os riscos de falhas aos raros casos de falha de sensibilidade dos testes sorológicos e eventuais erros clericais.
Assim, os riscos de transmissão da doença de Chagas via transfusão de sangue, estão na dependência dos seguintes fatores: a) presença do parasita no sangue ou componente transfundido; b) tipo e número de produto sanguíneo infectado transfundido; c) estado imunológico do receptor; d) nível de cobertura sorológica dos doadores e e) sensibilidade dos testes sorológicos empregados na seleção dos doadores.
Nota-se portanto, que houve uma diminuição significativa dos casos de contaminação por transfusão, mas que alguns fatores, já citados, devem ser observados, pois há a possibilidade dos doadores serem inaptos, devido reações inconclusivas, indeterminadas ou discrepantes, e cabe ao profissional de saúde e a legislação, analisarem a credibilidade dessas transfusões.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0037-86822011000800010&lang=pt

Até a próxima postagem!!

6 comentários:

  1. Apesar de toda tecnologia nos bancos de sangue, ainda existem casos de contaminação por transfusões sanguíneas. Dessa maneira, deve ser feita uma melhor triagem do sangue doado para os bancos de sangue

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  2. O sistema de transfusão sanguínea são muitos eficazes no país. Desde quando houve, nos anos 80, a contaminação de várias pessoas, incluindo o Betinho, por HIV em uma transfusão, as atenções foram voltadas para esse risco. Nisso, foram inclusos vários exames,como o de chagas, por ser um país tropical de área endêmica.

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  4. É importante notar que o artigo fala que os investimentos financeiros feitos na hemorrede atraíram recursos humanos qualificados, com grande reflexo na qualidade da triagem clinica e sorológica dos doadores de sangue. Porém, a melhora técnico-científica e as ações de vigilância sanitária junto a estes serviços de hemoterapia públicos e privados e ainda, o controle da transmissão natural, apenas reduziu a prevalência de sorologia não negativa (positiva ou indeterminada) para T. cruzi entre os doadores de sangue do país de 6,9% para 0,2% em aproximadamente 30 anos, mas não eliminou a possibilidade de contaminação por transfusão, o que deve ser colocado como meta a ser alcançada.

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  5. A introdução dos testes de triagem sorológica no processo de doação permitiu uma redução drástica nos níveis endêmicos de transmissão da doença de Chagas. No entanto, o processo ainda não é "perfeito", ainda deixa passar alguns soros positivos. O desenvolvimento de testes ainda mais específicos e sensíveis é bem viável.

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  6. Muito interessante saber desse histórico e dessa evolução no que diz respeito a doença de Chagas. Felizmente, muitas outras doenças também tem tido essa evolução. Com os cuidados necessários sendo tomados, a transfusão fica cada vez mais segura e o sistema de saude evolui cada vez mais.

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