sábado, 2 de agosto de 2014

Doação de sangue

Após todas essas postagens sobre os testes realizados no bancos de sangue com suas devidas aplicações, não poderia deixar de ressaltar a importância da doação responsável de sangue para saúde pública. Para isso, tentarei informá-los ao máximo sobre quais procedimentos devem ser tomados para doação, bem como seus pré-requisitos e consequências.
Todas essas informações podem ser encontradas no link que segue: http://www.hemobanco.com.br/sangue.htm
No entanto, na postagem focarei no que acontece com o sangue doado.

O que acontece com o sangue doado?
Após a sua doação seu sangue será encaminhado para o setor de fracionamento, onde será dividido em seus diversos componentes como: as Hemácias, o Plasma, as Plaquetas ou o Crioprecipitado. As amostras de sangue, coletadas também no momento da doação, serão encaminhadas para a realização dos exames exigidos por lei. São os exames Imunohematológicos, que é a Tipagem ABO e o fator Rh e também, a pesquisa de hemoglobinas anômalas. E os exames Sorológicos, a fim de evitar a transmissão de doenças através do sangue. Os exames de pesquisa de doenças infecciosas realizados são: AIDS,Hepatites B e CChagasSífilisHTLV I e II.
O sangue que apresentar resultados sorológicos negativos será devidamente etiquetado e liberado para distribuição e transfusão. O que apresentar algum problema será descartado e o doador será chamado e receberá as orientações cabíveis necessárias.

Obrigada!!

domingo, 27 de julho de 2014

domingo, 20 de julho de 2014

Prevalência do tabagismo em doadores de sangue

O tabaco e a hemoglobina

Para ser transportado para os tecidos, o oxigênio liga-se à hemoglobina, formando a oxi-hemoglobina. A fumaça do cigarro contém monóxido de carbono, sendo que a hemoglobina tem duzentas vezes mais afinidade com ele do que com o oxigênio, formando a carboxi-hemoglobina, que não transporta oxigênio.5 A carboxi-hemoglobina encontra-se normalmente no sangue nos níveis de 0,4% a 0,6%, podendo chegar a 15% nos tabagistas.
Em estudos realizados visando determinar a variação na concentração do monóxido de carbono em fumantes, verificou-se que os níveis desta substância aumentam com o número de cigarros fumados. Verificou-se também que existe uma correlação nas concentrações do monóxido de carbono e da carboxi-hemoglobina.
A fumaça do cigarro aumenta o teor de monóxido de carbono na circulação; em conseqüência, aumenta o teor de carboxi-hemoglobina, tendo reflexo negativo na quantidade de oxigênio encontrado no sangue e qualquer aumento na concentração da carboxi-hemoglobina significa diminuição proporcional na quantidade de oxigênio disponível para o metabolismo celular.
A doação de sangue é essencial para a saúde pública e a Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza que 3% da população forma um contingente de doadores adequado para atender às necessidades de sangue dos hospitais.
Na rotina dos hospitais e prontos-socorros, centenas de vidas são salvas todos os dias com o sangue doado pela população. No entanto, coletar sangue em quantidade e com qualidade é um desafio.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-84842006000100006&lang=pt

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Imunoblot como teste suplementar para detecção de anticorpos contra o vírus da hepatite C em doadores de sangue

Anticorpos contra o vírus da hepatite C (anti-VHC) são pesquisados em todos os candidatos a doação de sangue através de teste imuno-enzimático (ELISA). Este teste tem alta sensibilidade, detectando praticamente todos os portadores do vírus, além de indivíduos que foram infectados e não desenvolveram a infecção espontaneamente, tendo apenas anticorpos. No entanto, em populações de baixo risco, como doadores de sangue e população geral, o teste tem baixo valor preditivo positivo, gerando exames falso-positivos em pessoas que nunca foram expostas ao vírus da hepatite C (VHC).
Indivíduos com anti-VHC positivo e aminotransferases normais apresentam maior possibilidade de terem testes ELISA falso-positivos. Neste caso, são recomendados testes suplementares para aumentar a especificidade do ELISA. O mais utilizado é o imunoblot (RIBA) de 2ª ou 3ª geração, que detecta reação do soro do indivíduo contra proteínas de até 4 regiões diferentes do genoma do VHC. Quando não há reação a qualquer desses antígenos o teste é considerado negativo. Quando há reação a apenas uma proteína, indeterminado. No caso de reação a duas bandas do RIBA ou mais, a positividade do ELISA anti-VHC é confirmada. Este teste não serve para detectar viremia, uma vez que indivíduos com infecção resolvida continuam a produzir anticorpos anti-VHC por tempo indeterminado. Sendo assim, a única utilidade desse teste concentra-se na diferenciação de indivíduos com testes falso-positivos daqueles que necessitarão de investigação clínica. Nos Estados Unidos, com o uso do RIBA, estima-se que 40% dos doadores com anti-VHC positivo por ELISA têm exames falso-positivos.
No Brasil, o Ministério da Saúde não indica aos bancos de sangue que realizem qualquer investigação de doadores com anti-VHC por ELISA, recomendando que sejam encaminhados para atendimento médico. Alguns bancos de sangue públicos das regiões mais desenvolvidas do país contam com técnicas sofisticadas de biologia molecular para detecção do material genômico do VHC. Esta não é a realidade da maioria dos bancos de sangue públicos e privados do país.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0037-86822002000100013&lang=pt

sábado, 5 de julho de 2014

Metodologias de triagem para detecção de hemoglobina S em bancos de sangue

O traço falciforme é a presença em heterozigose da hemoglobina S (HbS). A partir de junho de 2004, por meio da RDC 153/04, tornou-se obrigatória a triagem de hemoglobinas anormais em doadores de sangue. 
A anemia falciforme é uma das hemoglobinopatias mais frequentes no mundo, sendo a sua causa uma mutação que afeta os genes beta localizados no braço curto dos dois cromossomos 11, cuja consequência é a substituição, na posição 6, das duas moléculas de globina beta do aminoácido ácido glutâmico por valina. Com isso, origina-se uma hemoglobina anormal, denominada hemoglobina S (HbS), ao invés da hemoglobina normal, denominada hemoglobina A (HbA)(1, 2, 11, 20).
O traço falciforme ou traço siclêmico caracteriza o portador de hemoglobina S, heterozigoto (HbAS), que não apresenta a doença nem possui anormalidades no número e na forma das hemácias(14, 19). Os heterozigotos do gene da HbS portadores do traço falciforme possuem um percentual de hemoglobina anômala que varia de 22% a 45% da hemoglobina total(18, 19). Estes portadores são geralmente assintomáticos, não apresentam anormalidade física e sua expectativa de vida é semelhante à da população em geral(2). Seus achados hematológicos são aparentemente normais, sem anemia, com níveis de hemoglobina variando de 13 a 15 g/dl e volume corpuscular médio (VCM) de 80 a 90 fL. Embora o traço falciforme seja assintomático, há relatos de morte súbita e complicações clínicas, especialmente quando os portadores são expostos a condições extremas de baixa tensão de oxigênio, como anestesia geral, mergulho, voo em aviões despressurizados e também na desidratação, em esforços físicos extenuantes, infecções respiratórias graves, insuficiência cardíaca respiratória e episódios de acidose, que podem levar à falcização das hemácias(8, 3, 10, 14, 15, 18, 19).
Uma grande variedade de testes qualitativos e quantitativos permite a detecção da HbS. Entre eles são amplamente conhecidos o teste de solubilidade e a eletroforese de hemoglobinas, mas também alguns testes são comercializados na forma de kit, como o teste em gel-centrifugação, da Diamed ID-HbS. Outras técnicas quantitativas também têm sido utilizadas, como eletroforese por focalização isoelétrica (IEF), cromatografia líquida de baixa pressão (LPLC) e cromatografia líquida de alta performance (HPLC)(4, 8, 12, 16, 17, 21).
Os portadores do traço falciforme são clínica e hematologicamente saudáveis, portanto aptos à doação de sangue. Assim, para aumentar a eficácia terapêutica das transfusões sanguíneas, a detecção de HbS em doadores de sangue no Brasil foi indicada pela Portaria nº 1.376, de 19 de novembro de 1993(6), mas a triagem das hemoglobinas anormais nos doadores de sangue tornou-se obrigatória a partir de junho de 2004, de acordo com a Resolução de Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (RDC/ANVISA) nº 153/04(7).
Esta resolução veio ao encontro da necessidade de melhorar cada vez mais a qualidade do sangue a ser transfundido, o que evidencia sua relevância; apesar disso, ela não indica o método de diagnóstico de detecção que deve ser realizado para seu cumprimento. Portanto, devido à falta de uma padronização nos bancos de sangue do Brasil, torna-se muito importante a estandardização de uma técnica para a triagem de hemoglobinas variantes. Na tabela apresentada anteriormente, observa-se o desempenho de alguns testes de triagem para HbS.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-24442011000200007&lang=pt

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Triagem sorológica em Bancos de sangue

Nas unidades hemoterápicas, a triagem sorológica de doadores de sangue é obrigatória e visa a proteção do receptor. As amostras devem ser testadas simultaneamente em dois testes (1 e 2) de princípios metodológicos diferentes, escolhidos de acordo com as condições do serviço: ELISA e HAI, ELISA e IFI ou HAI e IFI. O HAI e o IFI devem ser executados de modo qualitativo. No Brasil, o ELISA ainda é um dos métodos mais escolhidos. No entanto, com a recente implantação do NAT, o uso do ELISA vem decaindo aos poucos.
A amostra indeterminada ou com resultados discordantes deve ser submetida a novo teste com a repetição dos Testes 1 e 2, sendo que: 
· Para o ELISA deve ser feita repetição em duplicata e com o mesmo conjunto diagnóstico; 
· Para o HAI deve ser feita a titulação (teste quantitativo) com o mesmo conjunto diagnóstico utilizado na HAI qualitativa; 
· Para o IFI deve ser feita a titulação (teste quantitativo) com os mesmos reagentes utilizados na IFI qualitativa. 
No caso do HIV, por exemplo, há uma confirmação de diagnóstico  baseada na presença de anticorpos (Ac) contra o vírus no soro sanguíneo humano. Primeiramente faz-se o teste ELISA, para HIV-1/2. Quando nesse teste a reação é positiva, ou seja, quando por meio desse teste detectam-se anticorpos contra o HIV no soro, existe a necessidade de realizar-se testes confirmatórios, que podem ser o de Imunofluorescência (IFI), Imunoblot ou o de Western Blot.
O teste de IFI, como foi dito, é um teste utilizado para confirmar a presença do Ac para HIV em amostra de soro humano. Há cerca de 20 anos, iniciou-se no Brasil a realização desse teste. Por ser um teste eficiente e cujos kits têm produção nacional, tem proporcionado um custo relativamente menor, levando-se em conta os altos custos do teste Western blot.
O Ministério da Saúde, através do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, mantém uma rede de laboratórios públicos no país, que realizam testes de IFI para HIV-1. Esta é a Rede Nacional de Imunofluorescência que é composta por 141 laboratórios, que recebem gratuitamente os kits para realização dos testes sorológicos de IFI.
Um exemplo do uso do teste ELISA associado com o IFI:
http://www.aids.gov.br/pagina/2012/51652

sábado, 7 de junho de 2014

Teste ELISA

teste de ELISA (do inglês Enzyme Linked ImmunonoSorbent Assay) baseia-se em reações antígeno-anticorpo detectáveis por meio de reações enzimáticas (teste imunoenzimático). É, atualmente, o teste mais utilizado nos bancos de sangue para detectar doenças.
A enzima mais comumente usada nesta prova é a peroxidase, responsável por catalisar a reação de desdobramento da água oxigenada (H2O2) em H2O mais O2.
O teste de ELISA é responsável pela detecção de diferentes doenças infecciosas, uma vez que a maioria dos agentes patológicos leva à  produção de imunoglobulinas. Também pode ser utilizado no diagnóstico de doenças auto-imunes ou alergias.
Este método de diagnóstico é o de eleição para a detecção do vírus HIV. Estes testes até a sua terceira geração só detectavam a presença de anticorpos (IgG e IgM) três ou quatro semanas após o contato. Todavia, os testes de quarta geração já detectam tanto anticorpos quanto um dos antígenos do HIV, a proteína p24, fato esse que reduziu sensivelmente o período de janela imunológica, podendo chegar a apenas duas semanas.


Entretanto, há alguns anos, países desenvolvidos e alguns países em desenvolvimento, como o Brasil, utilizam técnicas de biologia molecular para detecção de ácidos nucléicos (NAT) de agentes patogênicos transmissíveis por transfusão, principalmente para o HIV e HCV, como já foi explicado em publicação anterior. 
 O NAT (Teste de Ácido Nucléico) reduz o tempo de detecção do HIV para cerca de 6 a 10 dias e do HCV para 20 dias comparado com o grande tempo que se leva para detecção dos agentes pelo teste ELISA. A diferença entre os dois testes é que o NAT investiga o material genético do vírus, enquanto o ELISA verifica a presença de anticorpos contra o vírus no organismo. A vantagem do NAT é que ele encurta a janela imunológica, ou seja, período em que o vírus permanece indetectável em um indivíduo.

Referência: http://www.biomedicinapadrao.com/2011/10/nucleic-acid-technologies-nat.html
Até a próxima publicação!!