Anticorpos contra o vírus da hepatite C (anti-VHC) são pesquisados em todos os candidatos a doação de sangue através de teste imuno-enzimático (ELISA). Este teste tem alta sensibilidade, detectando praticamente todos os portadores do vírus, além de indivíduos que foram infectados e não desenvolveram a infecção espontaneamente, tendo apenas anticorpos. No entanto, em populações de baixo risco, como doadores de sangue e população geral, o teste tem baixo valor preditivo positivo, gerando exames falso-positivos em pessoas que nunca foram expostas ao vírus da hepatite C (VHC).
Indivíduos com anti-VHC positivo e aminotransferases normais apresentam maior possibilidade de terem testes ELISA falso-positivos. Neste caso, são recomendados testes suplementares para aumentar a especificidade do ELISA. O mais utilizado é o imunoblot (RIBA) de 2ª ou 3ª geração, que detecta reação do soro do indivíduo contra proteínas de até 4 regiões diferentes do genoma do VHC. Quando não há reação a qualquer desses antígenos o teste é considerado negativo. Quando há reação a apenas uma proteína, indeterminado. No caso de reação a duas bandas do RIBA ou mais, a positividade do ELISA anti-VHC é confirmada. Este teste não serve para detectar viremia, uma vez que indivíduos com infecção resolvida continuam a produzir anticorpos anti-VHC por tempo indeterminado. Sendo assim, a única utilidade desse teste concentra-se na diferenciação de indivíduos com testes falso-positivos daqueles que necessitarão de investigação clínica. Nos Estados Unidos, com o uso do RIBA, estima-se que 40% dos doadores com anti-VHC positivo por ELISA têm exames falso-positivos.
No Brasil, o Ministério da Saúde não indica aos bancos de sangue que realizem qualquer investigação de doadores com anti-VHC por ELISA, recomendando que sejam encaminhados para atendimento médico. Alguns bancos de sangue públicos das regiões mais desenvolvidas do país contam com técnicas sofisticadas de biologia molecular para detecção do material genômico do VHC. Esta não é a realidade da maioria dos bancos de sangue públicos e privados do país.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0037-86822002000100013&lang=pt
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ResponderExcluirEm bancos de sangue no Brasil, a realização do RIBA em indivíduos com anti-VHC por ELISA, aminotransferases normais e sem fator de risco deve ser reconsiderada. Tal conduta diminuiria a ansiedade gerada com o falso diagnóstico de infecção pelo VHC. Além disso, é importante confirmar o anti-VHC através do RIBA nos estudos de prevalência em comunidades de baixo risco, como a população geral, para confirmação de anticorpos detectados por ELISA. Grande parte dos dados sobre prevalência de anti-VHC no Brasil leva em consideração apenas dados de ELISA, gerando provável superestimativa. Estudos de prevalência do VHC devem sempre considerar a confirmação dos ELISA positivos pelo RIBA.
ResponderExcluirA sorologia para anti-HCV pelo método ELISA, ainda é o exame mais usado para diagnóstico de hepatite C. Sendo que em sua terceira geração (ELISA III), a sensibilidade e especificidade chegam a níveis superiores a 95%. Por se tratar de um método altamente confiável, o uso de sorologia por RIBA só é usado em suspeitas de falso positivo, em que o paciente não apresenta nenhum fator de risco. O falso positivo é mais comum em pessoas que desenvolveram hepatite C aguda que se curaram rapidamente mas ainda apresentam sorologia positiva, ou que são portadoras de doenças autoimunes com auto-anticorpos circulantes. Por outro lado, o exame também pode ser falso negativo em pacientes com sistema imunológico comprometido.
ResponderExcluirhttp://www.hepcentro.com.br/hepatite_c.htm
A utilização do RIBA permitiu que 31,4% dos doadores anti-VHC ELISA positivos fossem tranqüilizados e orientados sem necessidade de maiores investigações e incômodos. Estes números são semelhantes aos relatados nos Estados Unidos, onde o imunoblot é recomendado para aumentar especificidade do anti-VHC em grupos de baixo risco2 6 7. Os pacientes com RIBA positivo ou indeterminado deverão ser encaminhados para avaliação médica e pesquisa do RNA do VHC. Como a resolução espontânea da infecção pelo VHC acontece na minoria dos indivíduos, a confirmação da presença de anticorpos é forte indicação da presença do VHC1 4.
ResponderExcluirNa Bahia foi realizado um trabalho nos bancos de sangue com o objetivo de avaliar a eficácia do RIBA no diagnóstico da infecção pelo VHC em doadores de sangue com anti-VHC reagente. Foram analisadas 102 amostras com resultado de anti-VHC reagente na HEMOBA, utilizando-se o teste anti-VHC Architect Abbott por quimioluminescência para detecção dos anticorpos anti-VHC, o RIBA III (CHIRON) como teste suplementar para as amostras anti-VHC reagentes e indeterminadas e a Reação em Cadeia da Polimerase (RT-PCR) convencional ou em tempo real (Amplicor Roche) para detecção do VHC-RNA. As amostras com VHC-RNA detectável foram genotipadas por hibridização reversa (LIPA; SIEMENS). Das 102 amostras analisadas no LACEN, 38,2% (39/102) foram reagentes, 57,8% (59/102) foram não reagentes e 3,9% (4/102) foram indeterminadas para o anti-VHC. Os resultados do RIBA foram 58,1% (25/43) positivos, 9,3% (4/43) negativos e 32,6% (14/43) indeterminados. Todas as amostras com resultado de RIBA indeterminado tiveram carga viral indetectável. Então, observou-se que o RIBA apresenta um elevado número de resultados indeterminados, sendo necessária a realização do VHC-RNA para a confirmação da infecção pelo VHC. Indivíduos com resultado de anti-VHC índex menor que cinco e resultado de RIBA indeterminado têm grande probabilidade de não
ResponderExcluirapresentarem o VHC-RNA detectável e portanto, de não estarem infectados pelo
VHC, mas devem ser acompanhados sorologicamente, de acordo com o critério
médico.
http://www.arca.fiocruz.br/xmlui/handle/icict/4196?show=full
O immunoblot consiste em um ensaio imunoenzimático que também é conhecido como western blotting. Para a detecção da interação antígeno-anticorpo é necessário em primeiro lugar a obtenção da membrana com as frações da misturantigênica, onde as proteínas são separadas de acordo com o seu tamanho, através de eletroforese em gel de poliacrilamida. Depois de separadas são transferidas para uma membrana de nitrocelulose onde ficam inertes e posteriormente serão utilizadas como suporte para a detecção da interação antígeno-anticorpo que no caso especifico são contra proteínas do VHC. Serão produzidos e anticorpos marcados que se ligarão a sítios específicos de proteínas virais.
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ResponderExcluirÉ importante confirmar o anti-VHC através do RIBA nos estudos de prevalência em comunidades de baixo risco, como a população geral, para confirmação de anticorpos detectados por ELISA. Grande parte dos dados sobre prevalência de anti-VHC no Brasil leva em consideração apenas dados de ELISA, gerando provável super estimativa. Estudos de prevalência do VHC devem sempre considerar a confirmação dos ELISA positivos pelo RIBA.
ResponderExcluirO vírus da hepatite C é transmitido por transfusão de sangue e hemoderivados, hemodiálise, contaminação de agulhas, seringas e materiais intravenosos, e, secundariamente, por via sexual. A hepatite C é a principal forma de hepatite transmitida por transfusão de sangue e hemoderivados, sendo o VHC encontrado principalmente no sangue total, papa de hemácias, plaquetas, plasma e, especialmente, nos concentrados de fatores da coagulação. Os reagentes atualmente empregados na triagem sorológica da hepatite C em bancos de sangue exibem boa sensibilidade e especificidade. Todavia, ao serem aplicados em populações onde são baixos os valores de prevalência, geram um percentual considerável de resultados falso-positivos. Faculta-se aos serviços de hemoterapia a realização de testes confirmatórios ou complementares, e, nos casos em que eles não são realizados, os doadores positivos deverão ser encaminhados a serviços especializados de acompanhamento.
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