quinta-feira, 26 de junho de 2014

Triagem sorológica em Bancos de sangue

Nas unidades hemoterápicas, a triagem sorológica de doadores de sangue é obrigatória e visa a proteção do receptor. As amostras devem ser testadas simultaneamente em dois testes (1 e 2) de princípios metodológicos diferentes, escolhidos de acordo com as condições do serviço: ELISA e HAI, ELISA e IFI ou HAI e IFI. O HAI e o IFI devem ser executados de modo qualitativo. No Brasil, o ELISA ainda é um dos métodos mais escolhidos. No entanto, com a recente implantação do NAT, o uso do ELISA vem decaindo aos poucos.
A amostra indeterminada ou com resultados discordantes deve ser submetida a novo teste com a repetição dos Testes 1 e 2, sendo que: 
· Para o ELISA deve ser feita repetição em duplicata e com o mesmo conjunto diagnóstico; 
· Para o HAI deve ser feita a titulação (teste quantitativo) com o mesmo conjunto diagnóstico utilizado na HAI qualitativa; 
· Para o IFI deve ser feita a titulação (teste quantitativo) com os mesmos reagentes utilizados na IFI qualitativa. 
No caso do HIV, por exemplo, há uma confirmação de diagnóstico  baseada na presença de anticorpos (Ac) contra o vírus no soro sanguíneo humano. Primeiramente faz-se o teste ELISA, para HIV-1/2. Quando nesse teste a reação é positiva, ou seja, quando por meio desse teste detectam-se anticorpos contra o HIV no soro, existe a necessidade de realizar-se testes confirmatórios, que podem ser o de Imunofluorescência (IFI), Imunoblot ou o de Western Blot.
O teste de IFI, como foi dito, é um teste utilizado para confirmar a presença do Ac para HIV em amostra de soro humano. Há cerca de 20 anos, iniciou-se no Brasil a realização desse teste. Por ser um teste eficiente e cujos kits têm produção nacional, tem proporcionado um custo relativamente menor, levando-se em conta os altos custos do teste Western blot.
O Ministério da Saúde, através do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, mantém uma rede de laboratórios públicos no país, que realizam testes de IFI para HIV-1. Esta é a Rede Nacional de Imunofluorescência que é composta por 141 laboratórios, que recebem gratuitamente os kits para realização dos testes sorológicos de IFI.
Um exemplo do uso do teste ELISA associado com o IFI:
http://www.aids.gov.br/pagina/2012/51652

8 comentários:

  1. O interessante nesse post é que mostra como o teste rápido para detecção do HIV nos bancos de sangue evoluiu, garantindo maior eficiência, rapidez e segurança. Por isso, o diagnóstico da infecção pelo HIV é feito em laboratórios, a partir da realização de testes sorológicos e moleculares, ou durante o período de visita do indivíduo por meio de testes rápidos. No Brasil, o diagnóstico da infecção pelo HIV é regulamentado por meio da Portaria 29, de 14 de dezembro de 2013, que aprova o Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção pelo HIV em Adultos e Crianças. Uma vez diagnosticado como portador da infecção pelo HIV, o indivíduo deve ser encaminhado prontamente para atendimento em uma Unidade Básica de Saúde do Sistema Único de Saúde ou para um Serviço de Assistência Especializada.Esses testes sorológicos baseiam-se na detecção de anticorpos e/ou antígenos do HIV presentes ou não na amostra do paciente. Em adultos, esses anticorpos aparecem no sangue dos indivíduos infectados, em média de quatro a 12 semanas após a infecção. Os testes sorológicos utilizados no diagnóstico da infecção pelo HIV são o Elisa, a imunofluorescência indireta, o western blot, o imunoblot e o imunoblot rápido. A reação de ensaio imunoenzimático, o principal teste utilizado no diagnóstico sorológico do HIV é o ensaio imunoenzimático, conhecido como Elisa. A imunofluorescência indireta para o HIV-1 são fixadas em lâminas de microscópio, as células infectadas pelo HIV-1 (portadoras de antígenos) são incubadas com o soro que se deseja testar, ou seja, onde é feita a pesquisa de anticorpos. O imunoblot/imunoblot rápido, proteínas recombinantes e/ou peptídeos sintéticos, representativos de regiões antigênicas do HIV-1 e do HIV-2 são imobilizados sobre uma tira de nylon. O western blo envolve, inicialmente, a separação das proteínas virais por eletroforese em gel de poliacrilamida, seguida da transferência eletroforética dos antígenos para uma membrana de nitrocelulose. O soro do paciente, onde se faz a pesquisa dos anticorpos contra o HIV, é colocado em contato com esta membrana. As reações antígeno-anticorpo são detectadas por meio da reação com anti-imunoglobulina humana, conjugada com uma enzima. Os testes moleculares: a detecção molecular de ácido nucleico se baseia na detecção e/ou quantificação do material genético do HIV (RNA do HIV no sangue ou DNA pró-viral em células infectadas) por meio da amplificação do ácido nucléico com o uso da reação em cadeia da polimerase (PCR) e detecção em tempo real de fluorescência emitida por uma sonda específica para uma assinatura genética do vírus. Os testes moleculares são especialmente úteis para o diagnóstico em crianças com idade inferior a 18 meses e na infecção aguda em adultos.

    http://www.aids.gov.br/pagina/testagem-para-hiv

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. O anticorpo antiproteinase 3, pesquisado por Elisa, costuma ser detectado em 80-90% dos portadores da forma sistêmica e ativa da granulomatose de Wegener. Seus níveis séricos podem refletir o grau de atividade da doença em alguns pacientes, mas não devem ser considerados um parâmetro absoluto nesse sentido. Preferencialmente, convém combinar IFI e Elisa, pois 10-15% dos casos são positivos apenas por IFI e 5%, somente pela metodologia imunoenzimática. Por outro lado, em pacientes com FAN positivo, o método Elisa é o de escolha, uma vez que a reação de imunofluorescência do FAN pode mascarar o reconhecimento dos padrões p-ANCA e c-ANCA. Vale lembrar que indivíduos com outras formas de vasculite de pequenos vasos podem apresentar raramente esses anticorpos.
    http://www.amaissaude.com.br/medicos/boletim-medico/Pages/como-investigar-autoimunidade.aspx

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  4. Garantir a segurança do paciente durante a transfusão sanguínea é o principal objetivo da evolução sorológica. No Brasil, o diagnóstico laboratorial da infecção pelo HIV é realizado por meio dos testes de triagem (Elisa) e confirmatórios (IFI e western blot), gratuitamente em toda a rede do Sistema Único de Saúde (SUS). A coleta é realizada de maneira descentralizada em grande parte dos estados, mas os exames ainda são feitos nos laboratórios centrais, localizados nas capitais. O teste ainda não é obrigatório no País, por isso não é possível contabilizar os casos de HIV. Porém, por cruzamento de pesquisas, estima-se a existência de 630 mil pessoas com o vírus em território nacional. Destas, 255 mil não sabem ser portadoras, segundo as estimativas do Ministério da Saúde.
    http://hemoemrevista.com.br/materia-selecionada.php?id=209

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  5. Garantir a segurança das transfusões sangüíneas é de fundamental importância e por esta razão várias tecnologias tem sido desenvolvidas nesse sentido.
    Em países desenvolvidos é utilizado há alguns anos as técnicas de biologia molecular para detecção de ácidos nucléicos (NAT) de agentes patogênicos transmissíveis por transfusão, principalmente para os vírus HIV e HCV.
    Pesquisas americanas apontam que a implementação da tecnologia NAT reduziu o risco residual de transmissão para HIV e HCV em transfusão aproximadamente para 1 em 2,3 milhões de unidades e 1,8 milhões de unidades respectivamente. Contudo, mesmo diante desses dados, no Brasil, ainda é grande a resistência dos órgãos financiadores do sistema de Saúde em ressarcirem a sua utilização, negando, dessa forma, o acesso universal à transfusão com maior segurança.
    Artigo HIV – ELISA negativo com NAT positivo: uma realidade em Hemoterapia

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  6. No final da primeira quinzena de fevereiro, passou a vigorar a obrigatoriedade da realização do Teste de Ácido Nucleico (NAT) em todas as bolsas de sangue coletadas pelos bancos de sangue, sejam eles públicos ou privados, do país. Produzido por Bio-Manguinhos, o kit NAT já era oferecido à totalidade de hemocentros públicos.
    O exame reduz a janela imunológica – tempo em que o vírus permanece indetectável – em média de 35 para 12 dias no caso da hepatite C e de 22 dias para 10 dias, no caso do HIV, e será usado na avaliação do sangue a ser usado em doações.

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  7. Com o objetivo da realização do diagnóstico laboratorial da infecção pelo HIV nos laboratórios públicos e privados, o Ministério da Saúde, por meio da Portaria de No 59, de 28 de janeiro de 2003, estabelece a obrigatoriedade de um conjunto de procedimentos seqüenciados para os testes que visam detectar anticorpos anti-HIV em indivíduos com idade acima de 2 (dois) anos. (anexo IX)
    A amostra deve inicialmente ser submetida à primeira etapa do conjunto de procedimentos seqüenciados, denominada de triagem sorológica (Etapa I), utilizando-se um imunoensaio, como por exemplo o Elisa (ensaio imunoenzimático). É importante ressaltar que o teste não poderá ser de avaliação rápida (teste rápido) e deverá ser capaz de detectar anticorpos denominados anti-HIV-1 e anti-HIV-2. Todos os conjuntos de diagnóstico (kits) utilizados para a realização dos testes, devem estar obrigatoriamente registrados no Ministério da Saúde.
    Após a realização da etapa de triagem sorológica, podemos encontrar as seguintes situações:

    1. a amostra que apresentar resultado não reagente no teste realizado, terá seu resultado definido como “ Amostra negativa para HIV “. Nesse caso, o resultado é entregue ao paciente acompanhado do aconselhamento pós-teste, e
    2. a amostra que apresentar resultado reagente ou inconclusivo no teste, deverá ser submetida à etapa de confirmação sorológica.

    A etapa de confirmação sorológica pode ser realizada de duas maneiras:

    1. por meio de um segundo imunoensaio em paralelo ao teste de Imunofluorescência Indireta (IFI) para HIV-1 ou ao teste de Imunoblot (IB) para o HIV (etapa II). O segundo imunoensaio deverá ter princípio metodológico e/ou antígenos distintos do primeiro imunoensaio utilizado.
    2. por meio do teste de Western blot (WB) – etapa III.

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  8. É inegável que no passado a transmissão de doenças por meio de transfusões sanguíneas ou derivados do sangue foi um problema realmente grave. Mas com a consolidação das técnicas de Imunofluorescência (IFI), o teste sorológico ELISA, a técnica de biologia molecular Imunoblot ou o de Western Blot formam uma barreira segura orientada por um protocolo de segurança que garante a qualidade do sangue que é depositado nos bancos de sangue.
    Vale lembrar que as técnicas de biologia molecular que utilizam do artifício da PCR podem adiantar o resultado de um diagnostico de uma doença em dias, como já foi citado em postagem anterior postagem.

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